
quarta-feira, 7 de abril de 2010
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Darth & Luke
E mais, o homenageado se comprometeu a aprender a dedilhá-la ao violão, para que em um encontro próximo possa entoá-la, embevecido e com os olhos mareados, brindando-nos com a seguinte introdução:
- "Agora eu vou cantar uma música que o JÚNIOR fez p'ra mim..."
A letra segue abaixo, para que possamos todos "sing along".
É emoção DEMAIS!
Pai!
Pode ser que daqui a algum tempo
Haja tempo prá gente ser mais
Muito mais que dois grandes amigos
Pai e filho talvez...
Pai!
Pode ser que daí você sinta
Qualquer coisa entre
Esses vinte ou trinta
Longos anos em busca de paz...
Pai!
Pode crer, eu tô bem
Eu vou indo
Tô tentando, vivendo e pedindo
Com loucura prá você renascer...
Pai!
Eu não faço questão de ser tudo
Só não quero e não vou ficar mudo
Prá falar de amor
Prá você...
Pai!
Senta aqui que o jantar tá na mesa
Fala um pouco tua voz tá tão presa
Nos ensine esse jogo da vida
Onde a vida só paga prá ver...
Pai!
Me perdoa essa insegurança
Que eu não sou mais
Aquela criança
Que um dia morrendo de medo
Nos teus braços você fez segredo
Nos teus passos você foi mais eu...
Pai!
Eu cresci e não houve outro jeito
Quero só recostar no teu peito
Prá pedir prá você ir lá em casa
E brincar de vovô com meu filho
No tapete da sala de estar
Ah! Ah! Ah!...
Pai!
Você foi meu herói meu bandido
Hoje é mais
Muito mais que um amigo
Nem você nem ninguém tá sozinho
Você faz parte desse caminho
Que hoje eu sigo em paz
Pai! Paz!...
segunda-feira, 22 de março de 2010
MG: O Dia em que eu fiquei Velho
Sempre disse que se só tivesse mais duas horas de vida eu quereria assistir a um show do DREAM THEATER. Pois por pouco não passo tais últimas duas horas de vida engarrafado na Marginal Pinheiros indo para o show... Graças a uma greve de professores que fechou a Avenida Paulista (como se uma coisa desse direito à outra), o trânsito paulistano ao longo da sexta-feira foi ainda mais caótico do que o habitual. Show marcado para as 22hs (na vez anterior em SP, o DT entrara no palco meia hora ANTES do horário!), Ane & eu saímos de casa às 20h30m - para ficarmos PARADOS na Marginal por mais de 100 minutos, cada vez considero mais incompreensível que alguém possa efetivamente GOSTAR desta Cidade onde os engarrafamentos não podem parar.
Felizmente desta vez o DT foi compreensivo. Mesmo já passando de 22hs, a fila da Platéia no lado externo do Credicard Hall era descomunal, serpenteando pelo estacionamento. Cambistas abordavam: -"Ingresso sobrando, eu compro!". Minha 5ª vez defronte do DREAM THEATER. A primeira foi no início dos anos 90, quando fariam uma World Tour e vieram fazer um aquecimento, um "ensaio geral" no IMPERATOR, no Méier (RJ), pois eram quase desconhecidos no Brasil. Fui sózinho (é óbvio) e assisti a uma das maiores execuções de Progressive Metal de minha vida, eles tocaram descompromissados, soltos e se divertindo por mais de 3 horas.
A 2ª e 3ª vezes foram no Credicard Hall em dois dias seguidos em 10 e 11 de dezembro de 2005, quando fizeram o show que batizei de "Dream Theater em 4 atos": no sábado, hora e meia, intervalo, e mais hora e meia; e idem no domingo, hora e meia, intervalo e mais hora e meia, totalizando SEIS HORAS de um show absurdamente arrasador.
A 4ª performance foi no estacionamento do mesmo Credicard Hall em dezembro/2008, o tal show em que entraram meia hora mais cedo. Foi a primeira vez que Ane os viu, e embora normalmente reservada, ela ficou boquiaberta com a massa sonora, e não consegui evitar que escapassem comentários -"Caralho!!!" umas 20 vezes ao longo do espetáculo.
De forma que estava excitado com o evento, a ponto de comprar camarote para ver tudo - uma vez que show de Metal prima pela altura dos headbangers. Desta vez, como no Imperator, nenhum conhecido compareceu.
Início às 22h40m. Visão perfeita, inclusive da massa compacta na Pista, que mais parecia uma maremoto do inferno com os condenados urrando e brandindo os braços erguidos. O que não impediu o comentário de Ane: -"Lá em baixo é mais legal... apesar do perrengue...". É verdade, para quem está acostumado à Pista, a impressão do Camarote nâo deixa de ser algo como estar assistindo a um mega DVD em ultra-high-definition.
O teclado é curioso, apenas um único keyboard engastado em uma estrutura que gira, e assim Mr. Jordan Rudess fica rodando e pode ficar de frente para o que quiser ao longo do show. Ele porta uma enorme barbicha branca de bode, que Ane classificou de "nojenta".
Muitas músicas do último disco, poucas que eu conhecia, mas TODO MUNDO cantava junto, inclusive muitas Mulheres. Uma grande diferença em relação ao AEROSMITH, STONES, THE WHO ou KISS, que não podem tocar nada novo, são escravos do repertório antigo, escravos dos preguiçosos fãs antigos. Aqui não, a platéia é composta por fãs vivos de uma Banda viva.
Um dos pontos altos da Banda para mim é o excepcional baixista John Myung, o "japa". O volume do baixo - muitas vezes distorcido, eletrônico, pedalado ou tratado - faz estremecer as paredes do recinto. Foi ele o responsável pela maioria dos "caralhos" de Ane no show passado.
Mas da mesma forma que o AEROSMITH em sua última gig no Brasil, também o DT tocou muitas babas. Não adianta, este é o Destino, até o DREAM THEATER acaba em baba, babas progressivas, "if I die tomorrow / the spirit carries on", convenhamos, já tinham tocado isto da última vez, eu queria ver ESPORRO!...
Felizmente fui recompensado com uma rara execução de PULL ME UNDER. Jordan Rudess vem para a frente do palco portando um portable keyboard em formato de guitarra ("teclado de algibeira", segundo Andre VASCO'n'cellos), e começa um genial duelo com o guitarrista John Petrucci. John gosta de se ouvir: ele toca cercado por amplificadores valvulados que lhe redirecionam o próprio som. Seus solos não são memoráveis; os riffs sim, os solos não, prefiro-o fazendo barulho e levação de som. Um guitarrista pesado que acha que é progressivo.
Com 1h25m de show, o vocalista James Labrie (gorducho, cabelo louro e cavanhaque preto, continua parecido com a Madame Mim) anuncia um "goodnight Sao Paolo!". É claro que é fake, mas a platéia brasileira nunca aprendeu a pedir bis em show, e o silêncio que envolve o palco vazio é quase constrangedor. Como sempre o puta baterista Mike Portnoy volta com a camisa amarela da seleção brasileira, e toca de pé.
Às 00h27m termina o show, sob ovação. Os músicos parecem deslumbrados, Portnoy entrega algumas baquetas de mão em mão, saca o microfone e grita: -"OBREE-FUCKIN-GADO!", a platéia delira.
Mas... não sei. As muitas babas me cansaram. Já vi o DT 5 vezes; os STONES 4 vezes, o AERO 3 vezes, IGGY 4 vezes, KISS 3 vezes, JETHRO 5 vezes, Udois 3 vezes, até o rush eu já vi. Me recusei a ver QUEEN com Paulo Ricardo Rodgers, imaginei que passaria o show inteiro consultando o relógio e pensando "quanto tempo falta para acabar isto". A tendência é que tal feeling venha a acontecer cada vez mais, as Bandas vão se tornando covers de si próprias, os shows vão se enchendo de babas.
Ou então eu é que vou ficando Velho...
(Nota - na saída, a Marginal estava novamente engarrafada!, desta vez no sentido inverso, de retorno. A ponto de uma jamanta - aquelas cegonheiras que carregam carros novos - dar MARCHA A RÉ EM UMA AGULHA para sair da pista expressa para a local!!! E passamos mais uma horinha dentro do carro, apenas para fazer um trajeto de 8km na "Cidade que não pode parar"...)
(mar/2010)
Ghost in the Shell

sexta-feira, 19 de março de 2010
Amber Heard
quarta-feira, 3 de março de 2010
Show do Coldplay (SP, 02/mar/2010)
Publico super na boa. Muitos casais e muita mulher. Estavam animadissimos e ha, de fato , uma legiao de fas da banda.
O show foi bom, longe de espetacular . Apesar de eles serem muito bons o grande ponto é o tipo do show. O som é mais intimista, romantico. Ou seja, nada a ver com o Morumbi. De fato, um show desses em mega-estadio, fica bem comprometido. Mas isso nao é culpa da banda nao, é a porcaria do paizeco em que vivemos e que é tamanha carencia de eventos que qualquer um com um pouco mais de nome, que venha para cá, seja AC/CD, Beyonce ou Coldplay, lota a porra do estadio e, ao final de contas, isso é business (apenas para lembrar) .
Finalmente, e retomando discussao desse arguto grupo, nao ha realmente como classifcar a banda por Pop. Vamos la: os caras tem competencia musical, nao se apoiam em recursos de dança ou excesso de "pirotecnia" para camuflar falta de competencia tecnica, tocam muito bem coordenados e todos os 4 elementos tem participacao musical ativa, as letras e metricas das musicas nao tem repeticoes exaustivas e simples (quase lembrando jingles), típicas do pop, nao usam de sensualidade para se mostrar, enfim, sao uma banda de verdade.
Enfim, valeu a pena ter ido no esquema que fui, continuo gostando da banda e da sua musica, mas nao iria a um show deles, de novo, no Morumba. Lá é lugar para coisas bem mais fortes.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
MG: Alice Cooper - Brutal Valentine
CREDICARD HALL, 12 de junho de 2007
“This won’t hurt... much!”
Faltando 4 dias para meu 51º aniversário, sou brindado no Dia dos Namorados com uma apresentação de TIA ALICE COOPER no CREDICARD HALL, em São Paulo. A Srta. A e eu nos dirigimos ao local nos entupindo de champanhe no gargalo, e ouvindo KILLER de cabo a rabo em volume terminal no trajeto.
Tia Alice foi o primeiro “gig” internacional que assisti, em 1974. Na época ele estava em transição de banda, e excursionando com a “equipe” de Lou Reed além de seu time de estrelas. Assim, (pelo que me lembro) o show da época contou com nada menos do que QUATRO guitarristas: os originais Michael Bruce e Glen Buxton (que morreu em 1997), e mais o suporte luxuoso de Dick Wagner e Steve Hunter (someone please confirm). Assisti tanto ao show intimista no Canecão como o do Maracanãzinho.
Passados 33 anos, o público era o melhor possível, com gente de todas as idades, lotação média, espaço para deslocamentos, dança e aproximação do palco, as poltronas liberadas para quem quisesse subir e ter visão panorâmica. Muitos rockers com a pintura clássica de Alice nos olhos e cantos da boca. Um metaleiro usava uma camiseta escrita “BRITNEY WANTS ME”. E nas costas: “... DEAD”. Fomos cumprimentá-lo e indagar se tinha mandado fazer, o que ele confirmou (Alice usou esta camiseta na excusão “Brutally Live” de 2000). E antes do início do show, um gaiato desfilava pela pista gritando:
- “TODO MUNDO QUE ESTÁ DE CAMISA PRETA É VIADO!!!”
Às 22h00m as luzes se apagam, e as luzes por trás de uma imensa tela que escondia o palco projeta o contorno do próprio, de cartola e bengala. A banda ataca de IT’S HOT TONIGHT, a platéia uiva, e um SEGUNDO contorno sombreado de Alice começa a brigar com o primeiro. A primeira sombra, que fora ovacionada, é derrotada. Tínhamos ovacionado a Alice errada... A segunda se ergue, sobe a tela-cortina, e começa o delírio. Alice brinca com a bengala como o legítimo mestre-de-cerimônias que é.
A formação é clássica e essencial: dois guitarristas, baixo e o melhor baterista que se possa imaginar: ERIC SINGER, que há tempos excursiona também com o KISS (quando eles deixam de lado a ganância e o makeup). Alice sempre soube escolher muitíssimo bem sua banda, e se atualmente não excursiona mais com os guitar players Ryan Roxie e Bob Marlette, encontrou substitutos à altura nos afiadíssimos Keri Keller e Jason Hook.
O set list é impecável – creio que não cheguem a existir 10 bandas que possam se servir de um repertório tão espetacular. A segunda música é NO MORE MR. NICE GUY o que conquista de vez a platéia. Eu já começo a chorar na terceira, UNDER MY WHEELS (do obrigatório KILLER de 1971). Emendam I’M EIGHTEEN e aí o choro já é convulsivo, telefono para Gloug, para Garcia, para Lolota e para Mamãe. Somos brindados com IS IT MY BODY? e em seguida a única música do show que não conheço, provavelmente do último disco DIRTY DIAMONDS que é um dos pouquíssimos que não tenho (devo ter uns 12 álbuns da Titia). A banda assume a postura clássica de rock’n’roll no palco, os dois guitarristas e o baixista em linha jogando a cabeça para a frente e para tras, arrebentando nos riffs, e no meio deles Alice destroçando no vocal e mise-en-scène. Estou no banheiro urinando champanhe quando ouço os arrasadores acordes iniciais de LOST IN AMERICA, e enquanto pulo descontrolado (na pista, não no banheiro) telefono para Gustavo que me apresentou ao excelente THE LAST TEMPTATION, de 1994.
O set list é brutal, um fino deleite para quem conheça o trabalho de Vincent Damon Furnier: BE MY LOVER, que jamais pensei ouvir ou ver ao vivo; RAPED AND FREEZIN; LONG WAY TO GO (!!!); MUSCLE OF LOVE; PUBLIC ANIMAL #9; DESPERADO; a inacreditável HALO OF FLIES, talvez a melhor música de todos os tempos; ainda por cima executam uma versão de mais de 10 minutos, com uma seção rítmica com os dois guitarristas abandonando seus instrumentos e também tocando bateria sob luz estroboscópica, ou seja, TRÊS bateristas e mais o baixo, seguida pelo solo de bateria do monstro Eric Singer (ainda bem que a PORRA do Peter Criss foi embora do KISS, eu sempre achei que a bateria era suspensa no show deles para evitar que “O Gato” fosse apedrejado com bosta). Como li certa vez no site da CDNOW: mesmo que o KILLER não fosse o álbum magistral e irrepreensível que é (de minha parte, foi simplesmente o disco que me fez gostar de música), ele já seria obrigatório pela simples presença de HALO OF FLIES. Por mim o show já poderia terminar aí mesmo...
Mas não. Seguiram-se WELCOME TO MY NIGHTMARE (com teatro de seres sem face, inclusive uma noiva!), COLD ETHYL, e com 1 hora de show uma balada: ONLY WOMEN BLEED. Alice dança com uma boneca vestida de Enfermeira, bate nela, a joga nas escadarias do palco, de repente não é mais uma boneca mas sim uma loura linda e gostosa que dança balé pelo palco. Pois Alice continua a estapeá-la no rosto até que ela o interrompe segurando-lhe a mão, para delírio da platéia. A música acaba e emenda com STEVEN e então DEAD BABIES, quando Alice empurra um carrinho preto de bebê. Ele tira o bebê do carrinho, o ergue nos braços, a platéia não consegue ser mais ensurdecedora do que já está sendo, Alice coloca o bebê de volta no carrinho, crava-lhe uma estaca no peito, dá marretadas, e finalmente ergue o bebê em triunfo, segurando-o pela estaca atravessada. Entram médicos de preto sem face e colocam uma camisa de força no vocalista enquanto a banda toca THE BALLAD OF DWIGHT FRY do também obrigatório LOVE IT TO DEATH, também de 1971. A versão é longa, pesada, espetacular! Emendam um extrato de DEVIL’S FOOD, Alice fugiu da camisa de força e do palco, os médicos o procuram. Começa KILLER e uma gigantesca forca com patíbulo adentra o palco. Alice foi capturado, e será enforcado, o que efetivamente acontece ao som ensurdecedor daquele ZZZZZZZZZZZZZZ de guitarras distorcidas ao final da música. A platéia está totalmente enlouquecida, um show inacreditável. A Srta A está emocionada e sorridente, descobriu que show de Rock pesado pode ser o máximo, como é bom se descobrir metaleira. Chegamos perto dos músicos, passamos o show passeando pela pista e chegando bem próximo ao palco, às vezes vamos para trás e subimos para a privilegiada vista das cadeiras que hoje estão liberadas, e de onde se vê tudo; depois descemos novamente para dançar, os seguranças estão particularmente carrancudos mas hay que enfrentá-los, it’s only rock’n’roll but we need it! O corpo enforcado de Alice é retirado do palco ao som de um extrato de I LOVE THE DEAD cantado pelo guitarrista. Alice reaparece de blaser branco, cartola branca e bengala, e põe a platéia para cantar e pular com SCHOOL’S OUT. Enormes bolas de borracha são jogadas para lá e para cá pela audiência, e quando chegam ao palco são espetacularmente furdadas por Alice que a esta altura maneja uma espada de pirata, causando explosões e chuva de confetes. É o fim do show, às 23h24m.
Mas é claro que tem encore: em BILLION DOLLAR BABIES Alice brande a espada cheia de dinheiro cravado, e joga as notas para a platéia (ele faz isto desde sempre, durante décadas eu guardei as notas que peguei naqueles shows de 1974). Segue-se POISON e a reação entusiasmanda da platéia me surpreende, pois é uma música de 1989 (disco TRASH) e não a imaginava tão conhecida. E o final antológico com ELECTED, estamos bem perto do palco enquanto Alice discursa:
- “I know we have problems in Curitiba; I know we have problems in Belo Horizonte; I know we have problems in Rio; but frankly... I DON’T CARE!”
, enquanto figurantes carregam cartazes escritos “He doesn’t care”, “Wild Party”, “School’s Out”, etc. Em campanha presidencial, Alice sacode a bandeira do Brasil, e chegamos ao final de 100 minutos eletrizantes de Rock’n’Roll.
Eu teria escolhido – ou melhor, acrescentado – algumas músicas mais recentes, pois os últimos discos da Titia – especialmente a trilogia BRUTAL PLANET / DRAGONTOWN / THE EYES – são fenomenais. Para quem perdeu o show resta perseguir o Homem mundo afora, ou então se deleitar com o dvd BRUTALLY LIVE.
Sempre marco encontro com a galera junto aos palcos, no final de qualquer show, pois é sempre fácil chegar lá. Mas neste caso não foi: a pista junto à boca do palco estava ENTUPIDA de gente mais de 10 minutos após o término. Um fã chegou a invadir o palco, pegar alguma coisa, fazer um stagediving e se perder no meio da massa enquanto os seguranças ficavam putos e apontando inutilmente de cima do palco... Fui lá para a frente para tentar pegar alguma nota do dinheiro, mas o pessoal se acotovelava em busca de souvenirs de... Eric Singer! Ouvi o seguinte diálogo entre dois pitbulls, um dos quais com uma baqueta na mão:
- “Pago QUALQUER COISA por esta baqueta!”
- “Não vendo por dinheiro NENHUM!”
- “Pôrra, eu sou fã do cara desde o BADLANDS!...”
- “ Eu TENHO uma música chamada Badlands!!!...”
O público era de todas as idades, mas qual seria a reação dos mais novos frente a tal avalanche sonora? Ainda na pista, entreouvi de um vintagenário:
- “Puta que o pariu, QUE SHOWZAÇO!!!”
Uma descrição que sumariza tudo o que vivemos neste Valentine.
Outra medida do sucesso da gig foi a enorme quantidade de gente que se aglomerava em frente ao stand de venda de camisetas na saída. É muito raro ver tanta gente comprando camiseta depois do show. Uma dica quanto às camisetas é a loja CONSULADO DO ROCK nas GRANDES GALERIAS (atualmente mais conhecidas como GALERIA DO ROCK). A CONSULADO produz as camisetas oficiais de muitos shows; tem ótima qualidade, belas estampas e bons preços – principalmente se você adquirir as peças diretamente nas GALERIAS.
O mundo pode ser dividido entre as pessoas que já viram Alice Cooper e Eric Singer ao vivo, e as que não viram.
(jun/2007)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
MG: Eu caí direitinho!
Um disco pretensioso, repetitivo, sem nenhuma criatividade e com um vocalista "melê", que canta como se lhe tivessem enfiado um dedão no cu - e sem cortar a unha!
Imagino como tenha sido difícil para o Aldo escrever que o "OK Computer" do RADIOHEAD (aquela mistura de PEPINO DE CAPRI com PINK FLOYD) é um disco progressivo... Ou talvez ele estivesse rolando de rir ao redigir semelhante barbaridade, que depõe não somente contra todos os discos progressivos da história, mas também contra sua própria credibilidade pessoal.
Talvez esta sub-banda PEPINO DE FLOYD seja boa ao vivo, como registrou o Sr. Vasco'n'Cellos - mas neste caso os mesmos amigos deverão assistir ao DREAM THEATER, que se não produz bons discos de estúdio, é excepcional on stage.
Enfim, vocês me pegaram. Conseguiram me fazer ouvir por inteiro uma das piores - se não A PIOR - bosta de toda a história.
Parabéns pelo sucesso da pegadinha!
PS - agora entendo a recomendação de Vasco'n'Cellos de que eu deveria ouvir COLDPLAY e RADIOHEAD para ver a diferença. Realmente, em comparação ao PINK DE CAPRI, o COLDPLAY é uma banda autêntica, criativa, viva e pulsante. Obrigado pelo toque!
(fev/2010)
sexta-feira, 15 de janeiro de 2010
Chan Marshall rules!
Eu estava com muito medo de ter que aguentar um show lento e introspectivo por duas horas, mas a surpresa foi a capacidade que ela tem para usar aquela voz impressionante e manter um clima de atenção constante. Dá para dizer, inclusive, que ela mantém um clima de tensão constante porque leva as músicas de uma forma que eu fiquei com a impressão que algo grande e devastador estava na iminência de acontecer. Ela é contida, emotiva e canta de forma única, como se falasse a letra, mas sabendo exatamente as notas que tem que ser acertadas na cabeça para dar sentido e intensidade à interpretação.
Não só cantou versões muito pessoais de músicas como “House of The Rising Sun”, “Sea of Love”, “New York”, como conseguiu fazer interpretações renovadas de suas próprias e manjadas (pelos indies, pelo menos) canções, como “The Greatest”, “Moon” e “Lived In Bars”. Nessa última, ela mudou o andamento do final da música e a banda acompanhou, terminando uma canção estilo Tom Waits numa virada improvisada muito para cima. Falando em andamento, a noção de ritmo que ela tem é absurda. Ela se move para a frente e para trás o tempo todo marcando o ritmo enquanto canta lentamente, levando tempo para transmitir cada sílaba.
A banda Dirty Delta Blues foi um caso à parte. Vale buscar outras coisas deles. Não só trouxeram texturas e viagens fantásticas como sabiam se conter sob a voz dela e pirar no momento certo para compor o clima necessário e crescer a execução das músicas.
No final da última música ela explodiu em uma alegria de dever cumprido, distribuindo rosas brancas para os que se aglomeraram na beira do palco, cumprimentando e dando autógrafos, bem diferente da moça arisca que ficou fugindo dos holofotes durante o show, como se quisesse esconder, no escuro, o próprio sentimento que transmitia.
Radiohead no Brasil
Caros,
A despeito das tentativas muito eloqüentes de Mr. Guedes para me convencer a não ir ao Radiohead, fui.
Ainda estou sob efeito da viagem, mas posso dizer que está entre os melhores shows que já presenciei. Mesmo confessando não conhecer uns 70% do que eles tocaram. Tenho Pablo Honey, The Bends (meu preferido), OK Computer, Kid A e Hail to the Thief e, mesmo assim, não conhecia a maior parte das músicas. Talvez seja porque eu tenha uma dificuldade de entender o som e encaixar em alguma coisa conhecida. Eles são naturalmente desencaixados e mesmo assim já venderam muito disco.Mas eu estava só na minha ignorância porque o público cantou o show inteiro.
Antes de falar da música, há de se fazer um preâmbulo sobre palco. Simplesmente fantástico, com tubos luminosos gigantescos pendendo sobre a banda que simulavam texturas, chuva, velas e sei lá mais o que. Além disso, os telões mostravam ângulos completamente estranhos da banda: pés pisando em pedaleiras, microfones solitários nos quais uma cabeça surgia de quando em vez, braços de guitarra. Não era um telão para acompanhar o show caso você não tivesse boa visibilidade do palco. E falando em visibilidade, cheguei à conclusão que a geração que curte Radiohead é uns 10 cm maior do que a geração que ouve Stones, dada a dificuldade para enxergar o palco.
No quesito música, eles surpreendem muito. As músicas soam muito melhor ao vivo do que em estúdio. Os caras realmente tocam bem. Fiquei muito impressionado com a pegada do baixo e bateria, extremamente coesos e consistentes. Infelizmente fiquei muito longe do Jonny Greenwood, um dos esquisitões da banda, o cara que ganhou o Urso de Ouro pela trilha sonora do filme “Sangue Negro”. O cara consegue se divide entre a guitarra, de onde consegue passar de um solo fantástico e etéreo a um barulho infernal em segundos, e uma mesa e pedaleiras cheias de efeitos. No fim do show o cara sampleou a própria banda e fez algo como um remix, ali, sentado no chão do palco. Ele é o cara que realmente consegue dar forma para o som da banda, consegue transformar as viagens e os miados de Thom em algo musicável.
O vocalista, líder e vencedor por vários anos seguidos do título de vocalista mais estranho do mundo, Thom Yorke, fez o que se esperava dele. Foi esquisito prá cacete! Cantou sofrido, fez caretas, ajoelhou-se para agradecer a platéia brasileira e tocou pulando pelo palco. Mas também conseguiu criar climas fantásticos, trazer interpretações novas para músicas já manjadas. É realmente impressionante ver em determinados momentos 30.000 pessoas em silêncio reverente, de boca aberta, marmanjos chorando... Mas fiquei com a impressão que o cara se acha o melhor do mundo. Ou melhor, ele não se acha, ele tem certeza!
Grandes momentos – “Paranoid Android”, “Karma Police” (30.000 pessoas embevecidas cantando “I lost myself” como se a melancolia fosse a coisa mais bonita do mundo), “Fake Plastic Trees” e, é claro “Creep”.
Kraftwerk valeu pelo lado antropológico. Chato prá cacete, música dançante feita prá dormir. Ok (computer), eu não gosto de música de computador mesmo!
Acho que é isso.
Abraço a todos.
André (23/mar/2009)
O casamento de Geddy Lee
Mulher do goleiro da Itália é eleita a Maria Chuteira mais bonita do Mundo
Aldo: METALLICA in VEGAS

Ao sair do "SOLD OUT" concert do METALLICA no MANDALAY BAY em LAS VEGAS, somente 3 palavras me vinham a cabeca:
SEEK AAAAAAND.....SEEK AND DESTROY!!!!!!!!!!!
Assistir ao show foi uma daquelas "last minute decisions" das quais nao me arrependo, afinal, como ja diziam as letras contidas no seminal "Scenes from a Memory" album - "Life is too short, the here and the now, and you're only given one shot".
Portanto, apos 3 full busy days trabalhando our Expo presence na Las Vegas ROCK AND ROLL Marathon Expo, no mesmo venue - Mandalay Bay Convention Center - decidir comprar o ingresso de ultima hora e, como estava na terra do Gambling, fazer uma aposta de que esse seria um tremendo show.
Nao poderia estar mais correto. Ja tinha assistido os cabras em 1992 (Queen's Freddy Mercury Tribute concert em Londres, o maior show da minha vida, e tb em companhia de Mr. Vasconcellos, Mr. Martinelli, Mr. Guedes e confraria nos idos de 1993 no Parque Antartica).
Center stage - fotos anexas, confortavelmente instalado em uma cadeira. Localizacao a metros do palco, dando para ver todos os detalhes das guitarras de James and Kirk Hammet, mais a batera de Mr. Lars Ulrich.
Show Highlights foram inumeros, a comecar pelo desfile de decotes impressionante considerando tratar-se de um show the METAL. Mas acredito que o Momento mais sublime (musicalmente falando) de toda apresentacao foi a MIDDLE SECTION do EPICO MASTER OF PUPPETS, onde a pancadaria para abruptamente, e uma SECAO ULTRA ELABORADA, MELODICA E MEGA PROGRESSIVA, executada with 100% perfection, que com certeza trouxe grandes memorias de anos passados. Outros momentos parecidos durante ONE (And Justice for All), Nothing Else Matters.
Alias outra OBRA PRIMA que concorre com MASTER OF PUPPETS no topo dos momentos mais inesqueciveis e FADE TO BLACK do fenomenal RIDE THE LIGHTNING (1984).
Durante toda a apresentacao o METALLICA mostrou que sua ORIGINAL BRAND of TRASH CRUNCHY METAL (copiada descaradamente por muitos incluindo o Dream Theater) continua viva e apuradissima. As musicas do novo (e parece que excelente) DEATH MAGNETIC estiveram SOBERBAS (petardos como Broken, Beat and Scarred e The Day That Never Comes).
"A keen student of his instrument even today" Hammett mostrou durante a noite toda completo dominio da guitarra. Nao e a toa, o cabra tomou licoes durante sua 'Kill 'Em All' tour com nada mais nada menos que Mr. Joe Satriani....
Set List perfeito, para os curiosos, esta publicado no site da banda http://www.metallica.com/
Desejo um otimo show aos amigos tupiniquins.
SAD BUT TRUE, shows como esse voce nao encontra mais frequentemente e nao da para perder.
Saudacoes Metallicas,
Leper Messiah
MG: "Switch" cover - autografado

É só imprimir e substituir em seu exemplar.
MG: The Musical Box (Genesis cover)
(out/2005)
MG: Roger Hodgson 2008

Agradeço a insistência de Mr. Star para que eu fosse de moto apesar da ameaça de chuva (que nos orvalhou em determinados momentos). Podia-se estacionar as motos em frente às lojinhas e tendas ao longo da pista de Interlagos, no melhor 'estilo faroeste', quando se prendia o cavalo em frente aos estabelecimentos. Até a Polícia estava de moto, deixando-as estacionadas em formação e com as luzes piscando, em um feérico espetáculo. Algumas brigas de gangues de motoqueiros (incluindo facadas, tiros e feridos) trouxeram alguma apreensão ao longo da noite. O lugar não estava nem perto de cheio, o que nos propiciou excelentes localizações no open-air, inclusive em uma elevação ('morrote') do lado esquerdo do palco.
O show de ROGER HODGSON foi mágico. Ane descobriu 'que não gostava de Supertramp, mas sim do Roger Hodgson!'. Como é comum em suas gigs, ele estava todo vestido de branco, e com diversas plantas e árvores espalhadas pelo palco. Simpaticíssimo, escreveu e leu (ou ao menos tentou) a introdução de diversas músicas em português. Quando a platéia cantou 'ê-ô, ê-ô, Ro-ger, Ro-ger', ele acompanhou ao violão! Comunicativo, acessível, alto astral e com um setlist de deixar todo mundo flutuando feliz e com ótimo humor.
início: 23h45m
1. Take the Long Way Home ('Breakfast In America')
2. Give a Little Bit ('Even in the Quietest Moments')
3. Hide In Your Shell ('Crime Of The Century') (“What will you gain / making our life a litle longer?”- minha favorita; a música que me fez gostar de Supertramp)
4. You Make Me Love You (do solo 'Hai Hai')
5. Easy Does It ('Crisis? What Crisis')
6. Sister Moonshine ('Crisis? What Crisis')
7. Breakfast In America ('Breakfast In America')
8. A Soapbox Opera ('Crisis? What Crisis') (também é a minha favorita, a mais progressiva que Mr. Hodgson já fez; aliás, ele a apresentou como 'one of my favorite songs')
9. Logical Song ('Breakfast In America')
10. Along Came Mary (do solo 'Open The Door')
11. The More I Look (tb do 'Open The Door')
12. Don't Leave Me Now ('Famous Last Words')
13. Dreamer ('Crime Of The Century')
14. Fool's Overture ('Even in the Quietest Moments')
ENCORE
15. School ('Crime Of The Century'; um baixo devastador no trecho “Maybe I’m mistaken / expecting you to fight...”)
16. It's Raining Again ('Famous Last Words')
final: 01h15m
MG: Segura o Tchan!
Um show - sou forçado a confessar - além das expectativas (que eram muito baixas). São 12 (DOUZE!) músicos, 4 vocalistas e 3 dançarinos, com um palco bem produzido simulando uma selva. Muito boa qualidade de execução das músicas, um passeio por ritmos brazilianistas, turista com certeza vai amar. Os dançarinos participam de mais ou menos metade das 2 horas de show. É contagiante, e a platéia se esbaldava em fazer a ginástica ritmada comandada pelas dancers.
Bebidas alcoólicas não eram permitidas - Ms. SF teve que se contentar em acompanhar castanhas de caju com água! - mas músicas falando em Bunda, Mão Boba explícita aqui, ali & acolá (com gesticulação a caráter) e mais toda a espécie de referência sexual - ah, isto pode.
Embora os movimentos sejam semelhantes, a Sheila morena dança com muito mais graça e sensualidade do que a Scheila loura. Mas quando Ms. Carla Perez foi chamada ao palco com sua roupa branca colante brilhante - arrasou! Ela dança muito, perto dela as outras não existiam.
Cabe aqui um comentário sobre Ms. Perez: as mulheres reclamam que ela é feia, baranga, etc. Pois é justamente este o seu mérito! Ela é a prova que uma mulher não precisa ser uma Barbie, uma Top Model ou uma Miss para ser um símbolo neste país do lado de baixo do Equador. Ela deveria ser reverenciada principalmente pelas próprias mulheres.
Um show recomendável, principalmente se for em um camarote com atendimento vip, banheiro particular e sala com TV e ar condicionado; ou se tiver álcool; ou para levar turista.
(out/1999)
quarta-feira, 13 de janeiro de 2010
MG - Pacaembu em Transe: Deep Purple e Sepultura (2003)
Serei eternamente grato pelo precioso empurrão de Mr. Gloug Guedes, que me levou ao open air do Deep Purple no Pacaembu, São Paulo City.
Consegui ingresso privilegiadíssimo, melhor impossível. Estabeleci-me a circa 10 metros do palco, naquele lugar que se você chegasse 8 horas antes do show e escolhesse “É este!”... seria ali. O esquema de cadeiras na pista gera este tipo de privilégio. Visão perfeita, e na boca do palco nem estava tão cheio. Bem... até que começou o show do Sepultura...
Terra em transe. Quem nunca viu o Sepultura ao vivo – e a 10 metros de distância em um estádio lotado – não tem dados para dizer que não gosta de Sepultura. É irresistível: tribal, furioso, energia e eletricidade incontidas, ritmo enlouquecedor, guitarras extasiantes, limpas (!). Agumas socialites do camarote da Kaiser atrás de mim tinham pulado a mureta e estavam a meu lado, e descobriam que seus longos cabelos eram iguais aos dos músicos, e que poderiam sacudí-los como eles, e dançar como eles, e se esbaldavam! Imagine a cena: socialites hiper produzidas dançando ao som do Sepultura e sacudindo suas cabeças como legítimas headbangers!...
A massa delirava, e a área VIP Premium onde eu e aquele monte de socialites estávamos foi furiosamente invadida. A partir daí, a situação chegou a ficar perigosa: cadeiras eram arrancadas e arremessadas para cima, ou então empurradas, prendendo as pernas de quem estava ali na frente; as rodas de pogar se formavam com extrema violência, a galera sem camisa se empurrando, chutando e socando puxada pela ferocíssima música, e a pancadaria chegava muito perto (minhas reverências a Mr. Fabio Star, a única pessoa que conheço que já enfrentou um pogar – show dos Raimundos, abertura para Aerosmith, Praça da Apoteose, RJ, no gargarejo – macho paca!).
O Sepultura está em excepcional forma. Andreas captura os desejos da massa e faz com a guitarra exatamente o que se espera dele, ou seja: tudo e mais um pouco. Não houve um único acorde fora do lugar, a altura ensurdecedora era perfeita, o ritmo contagiante, a polícia tentando timida e inutilmente botar alguma moral nas rodas, debaixo das queixas das socialites assustadas porém dançando ensandecidas. Em momentos distintos Mr. Kisser tocou a intro de “Dazed & Confused” arrancando todos os arrepios e emoções possíveis da galera, e mostrando que o Zeppelin é eterno mesmo para gente nova; e também o start de “Lazy”, anunciando ser uma honra para o Sepultura abrir para o Purple. Quem gosta de guitarra – e mesmo quem não gosta – pode imaginar o que seja a ensurdecedora guitarra do Sepultura tocando “Dazed” e “Lazy”. Não tem preço. Não tem arterioesclerose nem mal de Alzheimer que possa algum dia arrancar isto da cabeça de quem lá esteve.
Derrick Green está parecendo uma caveira preta, enorme, gigantesco, uma cordilheira de músculos, um hulk preto com olhos permanentemente esbugalhados e dreadlocks nos cabelos que vão abaixo da cintura. Presença fortíssima, arranhou algumas palavras em português, até quando ele fala “Um, dois, três, quaaaaatro” o estádio treme com sua voz gutural. Impecável.
Quando descobri Igor Cavalera, não mais consegui desgrudar os olhos. Uma bateria colossal, lindíssima, muito maior do que a do Purple, e ele furioso, compenetrado, ele era a música personificada, atento, não pensando em nada que não fosse socar alucinadamente os tambores. Para cada um dos milhares de acordes por segundo de Andreas, uma porrada na batera. Ser baterista de banda de metal é muito mais difícil do que ser guitarrista. Meu ilimitado respeito por Igor.
O show do Sepultura durou 80 minutos. Uma hora depois, às 0h15m, o Deep Purple entrava no palco para 100 minutos que ficarão tatuados em meu cérebro.
Entraram com as luzes acesas e calmamente assumiram seus lugares no palco sob delírio e ovação ensudecedora da platéia. A abertura do show com “Highway Star” em uma versão moderna, soberba e com um ritmo alucinante e alucinógeno mostrou em instantes que Steve Morse é a guitarra perfeita para o Purple, enterrando qualquer idéia de algum dia voltar a ver o mal-humorado Blackmore. Rest in peace, Ritchie; and do not haunt us again!... A galera cantou o solo junto com Steve Morse, foi a segunda vez que vi a platéia cantar um solo, a anterior fora no show do Kiss no Autódromo de Interlagos quando mais de cem mil pessoas cantaram o solo de “Detroit Rock City” junto a Ace Frehley e Paul Stanley em um momento realmente lindo; mas o solo de “Highway Star” é muito mais difícil.
“Lazy” trouxe gaita ao Deep Purple, Ian Gillan puxando uma gaita perfeita, como estão soltos e bem humorados, com um astral altíssimo. Platéia na mão, por muitas e muitas vezes um emocionado Gillan agradecia – “You are amazing”, “You are unbelievable”, “You are fantastic”, “Thank you, thank you, thank you”. Somos nós que agradecemos, Mr. Gillan.
Eu temia que o Purple só fosse tocar coisa antiga, quebrei a cara: banda ativa, viva, lançando discos, tocando coisas novas, todas irresistíveis, ritmo fenomenal, envolvente. “Perfect Strangers” é cada vez mais progressiva. Steve Morse junto à cozinha do Purple palco desfilou uma sucessão de riffs antológicos, começando por “Sweet Child o’ Mine” em uma versão que nos levou todos às lágrimas, emendando com uma “Gimme Shelter” viril e soberba – se Keith Richards ouvisse, mudaria sua forma de tocá-la – depois o solo de “Stairway to Heaven” (Gloug informa que no Rio foi “Whole Lotta Love”), emendando com “Day Tripper” (in Rio, “Here Comes The Sun”) e então... “Smoke on The Water”!!! Versão ultra moderna, ultra ritmada, eu não acreditava no que via e ouvia, chorava e perguntava ao fã a meu lado que tudo conhecia – e que já estava pegando uma das socialites bebadas – “O quê é istooooo?”. Eu não acreditava. “Eu não acredito!”. Marcio em transe.
A versão ainda mais radical e descerebradamente rocker de “Space Truckin’ ” deixou a massa catatônica, pulando todos em um só bloco conjunto e fazendo o Pacaembu balançar (Glauco descreve como “mortífera; soco no fígado”).
Outro momento antológico foi durante o solo de baixo. A platéia começou a urrar o ritmo de “Black Night”. Roger Glover, que está parecendo um enorme gnomo, está igual ao Ian Anderson, foi para a frente do palco e começou a tocar acompanhando a massa. Os músicos ficaram em silêncio e a massa berrava o riff. Pois em uma das paradas e reentradas, a banda entrou junto! E tocaram a mais emocionante versão de “Black Night” de todos os tempos, acompanhados por mais de cem mil bocas ululantes e pares de olhos lacrimejantes.
Na lateral do palco, entre várias gostosas que rebolavam, Jô Soares de camisa amarela fumava um cigarro. Talvez estivesse lá para tentar se redimir da entrevista levada ao ar na véspera, provavelmente a mais bisonha de toda a sua carreira. Ele fez as mais despreparadas perguntas de todos os tempos: “’É a primeira vez que vocês vêm ao Brasil?” “Não, é a trigésima quarta” respondeu Roger Glover (o Deep Purple tem 34 anos de carreira). “É verdade que ‘Deep Purple’ era a música favorita da avó de Ritchie Blackmore?” perguntou ele, ignorando tratar-se de um desafeto da banda. “Não sei, nós não lembramos” respondeu Ian Paice. E muitas outras no mesmo (baixo) nível. Chegou a dizer ao Ian Paice: “Você é o membro da banda com quem eu mais me identifico: é gordo como eu”...
Não vou a um show no Brasil sem sair com a mesma impressão de sempre: platéia brasileira não sabe pedir bis. Pedem com pouco “punch”, com pouco tesão, acham que “já está incluso” no pacote, que é obrigação da banda. Pedido muito chocho. Resultado: as bandas voltam pouco.
Existem uns 20 shows que classifico com “um dos melhores 5 shows de minha vida”. Iggy, Jethro, Plant & Page, Dream Theater, INXS, RPM, Barão, Blitz (na chuva), Fish, Guns, Queen, Kiss (em 85), e muitos etcs. Bem o do Deep Purple se encaixa nesta categoria: foi um dos 5 melhores shows de minha vida. Estarei em todos os shows que eles vierem a fazer por aqui. Mais uma vez fui a um mega-show sozinho; mais uma vez eu era o mais velho, o que não mais me surpreende: “Still Crazy After All These Years”...
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
FM: Kasabian
André Vasco, Fabio Star + Significant Other e eu fomos, sábado à noite (10/nov), devida, brutal e inesperadamente ATROPELADOS por uns moleques ingleses cabeludos, barulhentos e competentes para pênis.
Provável e simplesmente um dos melhores shows que já vi.
Não consigo imaginar melhor maneira de ser apresentado a uma banda: não sabia absolutamente nada a respeito dos caras e, após um agradável e competente show do DEVO (razão de nosso encontro, Festival Planeta Terra '07), quando arriscamos ficar pro tal show, na seqüência, só pra ver do que se tratava, assaltam-nos com um esporro inacreditável. Deve-se destacar que se tratava de Top of the Bill. Não à toa.
Guitar Glauco: apelidamos um dos guitarristas de DESTRUIDOR DE MIZINHOS. Pra evidente desespero de seu Private Roadie, que trocou cordas após CADA UMA (sem exceção) DAS MÚSICAS executadas ao longo de 90 minutos de ataque bárbaro.
Enfim, get a little taste of what hit us:
http://www.youtube.com/watch?v=-n584fbl5LU
http://www.youtube.com/watch?v=HkT0G7ewzI0
http://www.youtube.com/watch?v=vA7zZgp03PQ
http://www.youtube.com/watch?v=AoazBi4cU9s
Em tempo: Kasabian é o nome do mal-educado bando ...
Enjoy! We fukcin’ did ... a lot. E sim, a noite acabou em bloody Chocolate Shakes + Burgers! Shoul've been Fish + Chips...
Quiponróquin!
KaFabian
MG: Iggy and the Stooges e Nine Inch Nails
FESTIVAL CLARO QUE É ROCK, MORUMBI, 26 DE NOVEMBRO DE 2005
Ainda resta uma esperança.
Quando ando pelos Shoppings, olhando vitrines e as modas que desfilam, me pego pensando que o que mais me faz falta no passado... é o Bom Gosto. Quanta saudade do Bom Gosto! Hoje, pitéus maravilhosos desfilam orgulhosas dentro de modelitos que só fazem revelar o imenso vazio de bom gosto que existe dentro de seus deliciosos corpitos e vazias cabecitas.
Mas... o one-day-open-air-festival Claro Que É Rock, em 26 de novembro de 2005 na longínqua Chácara do Jockey, um descampado além-Shopping Butantã, veio para me mostrar que AINDA RESTA UMA ESPERANÇA!
Eu me programara para assistir a boa parte dos shows – do comentado Cachorro Grande às 16h40m até o final do Nine Inch Nails às 03h30m da matina, passando por Moptop, Good Charlotte, Fantomas (de Mike Patton, que à última hora substituiu o Suicidal Tendencies) e Sonic Youth. Mas dizem que a vida se dá em ciclos de 7 anos, e o oitavo ciclo que iniciei há pouco mais de 5 meses vem demonstrando ser o ciclo da fragilidade orgânica – e uma violenta primeira sinusite de minha vida desandou em uma violenta primeira dor de dente de minha vida, e acabei focando apenas no supra sumo do evento: IGGY AND THE STOOGES, programados para as 23h15, e NINE INCH NAILS, que não conhecia porém prometia tudo, para as 01h55m.
O sempre presente e recém-solteiro Fabio Star colocou o carro à disposição, e seguimos por volta de 21hs. Fomos com casacos pesados, o que se revelou sapientíssima decisão apesar de estarmos quase no verão. Mas é São Paulo.
A chegada a um one-day-open-air-rock-festival é sempre aquela eletricidade no ar, ambiente cheio de energia e as melhores vibrações que este Planeta pode produzir. Logo na entrada vi ao longe Solange BF de casaco vermelho e maridão a tiracolo, ainda mais bela os 41 anos do que era aos 18. Aliás, 1964 foi um ano pródigo na produção de belas Mulheres.
Quem quiser ver Mulheres Maravilhosas e seus Decotes Voadores deve ir a um show de Rock, preferencialmente pesado. Roupas, pinturas, ousadias, nada é demais, tudo é belo e erótico e excitante e clima-de-rock. A eletricidade é livre, com a colaboração de todos, principalmente das Deusas – e nesta hora são todas Deusas-Cachorras-Tchutchucas-Popozudas-Preparadas. Deus, sem dúvida, é Homem...
Dois palcos gigantescos nas extremidades do imenso gramado, lembrando muito a Cidade do Rock no Rio. E uma surpresa na chegada: os shows estavam no horário! A alternância de shows e palcos permite que um palco seja preparado enquanto um show rola no outro lado, e assim chegamos no início do esquisito Flaming Lips, com o palco completamente tomado por gente vestida de bichinhos, sapos, sol, papai noel, pato, porco espinho, trocentas figuras nada-a-ver, o que fazia com que a música ficasse nada-a-ver. Assistimos a uma versão de "Bohemian Rapsodhy" com letra no telão (como se alguém não soubesse) que fez todo mundo a cantar junto. Saímos do tumulto rumo aos fétidos banheiros químicos e em seguida já fomos tomar lugar junto ao Palco A, para a performance de Iggy Stooge. Sábia decisão: faltavam uns 20 minutos para o término do show do Flaming Lips, e foi possível pegar uma ótima posição a uns 50 metros do palco.
IGGY
A primeira surpresa foi a bestial quantidade de fotógrafos na gigantesca boca de palco: sem exgero, eram mais de 100. Uma massa humana aguardando o cantor e a banda que o ultra precursor Gloug Guedes me fazia ouvir em 1970, quando tinha 12 anos e eu 14. Inacreditável: os discos dos Stooges devem ter vendido umas mil cópias na época (no mundo todo!), e Gloug, O Homem À Frente De Seu Tempo, foi um dos que comprou e me fazia ouvir aquele esporro através das paredes.
A banda se posta no palco; na lateral, Iggy pula frenético, parado em um mesmo lugar, parecendo um injetado lutador de boxe se aquecendo eufórico antes de uma final de pesos pesados, babando, espumando, pedindo, exigindo e implorando que a banda começasse o massacre. E veio “Loose”, e a partir daqui vai ser difícil manter a racionalidade e a compostura nesta narrativa.
Você pode imaginar a gesticulação do Iguana com o microfone com fio enquanto urrava: “I stick it deep inside, you know I stick it deep inside... ‘cos I’m LOOSE!”. Ninguém sabia o que fazer: a platéia pulava ensandecida, a centena de fotógrafos corria para um lado e para outro tentando acompanhar o demente, a porra da Claro encheu a boca de palco com aqueles imensos e completamente irritantes balões de propaganda que a massa ficava jogando de um lado para outro – isto me lembrou um show da Legião em Recife em 1986, quando durante a execução de “Geração Coca-Cola” a Pepsi jogou estas mesmas porras de giga-balões na platéia, a diferença é que Renato Russo ficou transtornado e começou a urrar: -“DESTRÓÓÓIII!!! DESTRÓÓÓIII!!!” e a platéia não se fez de rogada, e não esperou um instante e rasgou, destruiu, arrebentou completamente e instantaneamente as porras dos giga-balões de propaganda, foi muito lindo.
Iggy continuava stickin’ it deep inside, sem camisa e com a calça caindo cada vez mais, no final estava com a bunda completamente de fora, rebolando sem parar mesmo depois da música acabar, achei que fosse mostrar o pau, me lembrou uma capa de um jornal inglês de música que comprei em minha very first visit to São Paulo circa 1978, com Ronnie Garcia e Gloug, viemos atrás de artigos de Rock na loja Freedom na Alameda Lorena – na época o Rock ainda apenas balbuciava em Terra Brasilis, e tínhamos que vir a Sampa para comprar uma reles linguinha dos Stones de pendurar no pescoço – e encontramos um jornal cuja capa era um nu frontal de Iggy, inacreditável, calça quase no joelho mostrando uma portentosa jeba volumosa, não é à toa que ele gosta de se exibir.
Prossegue o show com ensadecidas versões de Down On The Street, 1969, TV Eye, todas as músicas dos dois discos “The Stooges” e “Fun House”. Versões modernas e poderosíssimas, Iggy anunciara em entrevista que eles só sabem tocar estas 16 músicas, "então vocês não vão ter muita opção"... e nem precisava. Veio aí a maior surpresa, que me fez ver que ainda resta uma esperança: quando cantou “I Wanna Be Your Dog” a massa INTEIRA berrava, urrava, pulava e se esgoelava sabendo TODA a letra de cor!!! Eu FILMEI isto, tenho a prova! Era impossível acreditar: aquele disco que só vendeu mil cópias no Mundo todo em 1970, que eu ouvia através das paredes tocado por um irmão de 12 anos... e agora todo mundo cantando, no Brasil??? Juro que até agora ainda não cosegui entender ou acreditar, não tivesse eu filmado quase o show inteiro pensaria que era efeito do febrão que me queimava (e só o febrão...).
Não pude resistir e telefonei para o Brother Gloug, tentando convencê-lo a ir ver o show no dia seguinte na Cidade do Rock no Rio na madruga de Domingo para Segunda, mico total, é na PQP. Ouvindo a balbúrdia ao fundo, Glauco definiu Iggy: -“É um Demente a Deus...”.
Durante a execução de “No Fun”, o apocalipse. Iggy pulava na platéia enlouquecida, chamava todo mundo para subir no palco, e começou a invasão. Os seguranças não sabiam o que fazer, os invasores arrancavam o microfone com fio de Iggy e urravam “No Fun!” e devolviam o microfone e se voltavam para a platéia e abriam os braços em uma exultação de vitória e alegria; chegamos a ter um duelo de guitarras onde um membro da platéia tocando air guitar (ou seja, guitarra invisível) DUELAVA com Ron Asheton, que respondia e correspondia! O bolo de gente ficou indo e vindo para cá e para lá na boca de palco ao longo de toda a música, balbúrdia descontrolada, platéia hipnotizada, rock de primeiríssima qualidade, emocionante, ainda resta uma esperança.
Por diversas vezes ao longo do show o Stooge chutou as câmeras que o espionavam de baixo para cima, ele estava andando e de repente pimba! um bico na câmera, e o cameraman fugia assustado em busca de algum outro lugar, como um cahorro que levou um bico de bicho furioso, um Iguana insano.
Final do show, palco apagado, era hora do Sonic Youth no Palco B, mas Iggy voltou e começou a urrar no palco deserto: -“I don’t give a fuck if you are the Government, if you’re fuckin’ MTV, turn on the lights! TURN ON THE LIGHTS, I wanna see the people!”, as luzes se acenderam, a banda voltou, e Iggy emendou um bis absolutamente não protocolar, depois disto foi quase expulso do palco, a banda saiu mas ele continuou lá rebolando, saiu rebolando, os Stooges são muitíssimo bons – ou ficaram bons – mas sem dúvida são a banda de apoio de um showman único, legítimo, hilário, demente a deus.
Demos uma olhada no Sonic Youth mas optamos por encarar um rango, e pegamos uma das monstruosas filas, cheias de gatas maravilhosas de todos os tipos, platéia completamente eclética com todos os modelitos de roupas e tribos, um happening ecumênico. Finalmente, após uns vinte minutos cheguei na frente da fila e pedi um tão desejado pedaço de pizza, ao que ouvi “aqui só vende cheeseburgersalada, pizza é lá do outro lado”, fiquei puto (comigo mesmo) mas encarei o delicioso cheeseburgersalada e um tonel de Coca. E voltei ao mesmo Palco A para esperar o Nine Inch Nails.
Eu nunca ouvira o NIN, mas além de ótimas referências da galera semi-rocker da Credicard (“é tudo de bom!”) era ainda o show de encerramento da noite, o que só podia significar algo no mínimo promissor. Pegamos um ótimo lugar, e a esta altura o assédio feminino já perdia o pudor, vejam vocês, até um doente grisalho é peixe (por falar em Peixe, saudações Romário Artilheiro do Brasileirão), mas não era para isto que eu estava lá, aliás nunca é. O Show do Sonic Youth não acabava nunca, talvez bom, porém do tipo viajandão, interminável, a platéia já aglomerada no outro palco para o Nine Inch... e dá-lhe zumbido de guitarra distorcida, deve até ser legal, mas ali tudo o que a galera pedia é o mesmo que o Dinho suplica no final de “Uma Arlinda Mulher” no delicioso disco dos Mamonas: “pelo amor de deus, PAREM COM ESTA PORRA!!!”
NINE INCH NAILS
Na montagem, o palco já mostrava o que seria, e a abertura nada deixou a desejar. Uma estonteante tempestade de luzes, cascatas estroboscópicas, fumaceira (na platéia também), spots, postes de luz piscante multicolorida, massa sonora, o famoso rock industrial, pesado, massacrante, fulminante, eficiente, empolgante, brilhante, não deixando pedra sobre pedra. Me lembrou o magistral (aqui eu vou ser espinafrado) show do Pet Shop Boys no TIM Festival em 2004 no Jockey em SP thanks to GustaFer, também um massacre sonoro de raríssimo e estupefaciante bom gosto visual. Músicos e músicas perfeitos (em ambos os casos), a platéia delirava com o NIN, filmei bastante pois não tinha confiança de que minha memória pudesse me dar a certeza da coisa ter sido realmente tão boa. Pois foi. Não consigo entender como alguém que já conhecesse o Nine Inch Nails, e achasse “tudo de bom”, possa ter deixado de ir a um espetáculo magistral destes (sim, isto é uma chamada). É disto que vamos nos lembrar aos 80 anos de idade, em minha opinião é na Música que o Ser Humano mais se aproxima do Divino. É disto que mais vou sentir falta quando finalmente deixar para trás este corpitc decadente e decrépito: da Música, do Rock. And Roll.
PS - PEARL JAM no PACAEMBÚ em 02/DEZ
Lotação adequada, acessos adequados, público eufórico, puta show. O curioso é que no fundo se trata de uma banda de garagem, como todas estas coisas de Seattle, e não consigo entender tamanho frisson. Mas aqui o organismo não resistiu, pois já eram quinze dias escarrando carnegões esverdeados, e com convulsões e calafrios de febre tive que ir embora no meio do show, graças à imensa compreensão da adorável Amabo. O principal registro é que a venda de cerveja estava proibida, mas o canhamo liberado. Assim, qualquer que seja o seu barato, vá abastecido para seu próximo show...
Seqüência para os próximos dias: Marcelo Nova na quinta-feira, Skank na 6ª (festa do trabalho), Dream Theater no sábado, Dream Theater novamente no domingo, Titãs na segunda (outra festa de trabalho). Na terça devo estar cuspindo sangue. Mas não tenho alternativa: Always Rocker...


